agora.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

que se foda que tem tudo pra não dar certo. quero você, e me foder. me foder, me foder. com você. apostar tudo, ficar na fossa depois e fumar todos os marlboros do mundo, encher o rabo de conhaque barato do boteco engordurado, e depois jantar três folhas de alface por causa da fitness. arrebentar a boca, intoxicação por esmalte. chorar até ficar com a cara inchada e cor de lápis de olho, bater a cabeça na parede ouvindo wilco dizer em bemol como eu tomei no cu. e depois te procurar de novo. pela milésima vez, pedir perdão e dizer que vou com calma, pra depois te abocanhar sem nem mastigar, te engolir mais rápido que dose de pinga. casar, amanhã.cozinha xadrez. e depois me foder. de novo. sem você.fodida.


um só sempre é demais

pra seres como nós
sujeitos a jogar
as fichas todas de uma vez
sem temer, naufragar...

Óvulos

domingo, 26 de outubro de 2008

- Bom-dia, esposinhaaa!
- Bom-dia uma ova, Paulo. O almoço já tá quase pronto.
- Humm... minha esposinha cozinhando hoje, que delícia! Até que foi uma boa idéia dar folga pra Lurdinha aos sábados, né? Que cheiro bom, esp...
- Ah, pára de me chamar de esposinha! Que frescura é essa agora? Já são onze da manhã e já é quase novembro; natal tai e esse apartamento continua sem pintar! Olha só, essa janela descascando. E o senhor, só porque é sábado acha que pode acordar tarde assim. Tá vendo aquela batedeira ali? Quebrou hoje, a filha da puta... E falando nisso, sua mãe já tirou da cabeça aquela idéia da gente comprar uma casa com edícula no fundo pra ela morar lá, né? Pelo amor de deus, Paulo.
- Deus, ó Deus pai tão bom, do marido tão sereno... me diz, me diz porque a TPM existe! Amanda, meu doce... Mamãe disse no mesmo dia que ela tinha vontade de posar nua. Ela também não deve ter falado sério sobre a edícula. Agora vamos ver o que eu posso fazer com nossa querida batedeira.
- E desde quando você sabe consertar batedeira?
- Mas...mas... você não berr...digo, pediu pra que eu tentasse consertar?
- Hum. Mas vou querer uma nova se você quebrar essa de vez, hein.
- Tudo o que você quiser, tchutchuquinha. Docinho. Fofura.
- Mas você não percebeu ainda que eu não to pra graça hoje? Vai rapaz, tira essa mão daí senão vai tomar colherzada de pau na cabeça. Ai, Paulo... Nossa, agora não. Ai, ai... Não, pára...preciso mexer o molho.
- Toma, pra mulher mais bonita e encantadoramente brava desse prédio.
- Só do prédio?
- Do prédio, do bairro...
- É de coco, daqueles que eu gosto?
- Sim... da cidade, quiçá a mulher mais bonita desse mundo inteiro.
- Ah, amor! Assim eu fico encabulada... meu gatinho, meu pãozinho!




*
Há algum tempo, criei esse casal comum-pós-moderno-divertido-e-problemático-clichê. Bem, eles voltaram... e ganharam um marcador.

sobre a carne

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

o sol perdia suas escamas – não pela aproximação do final de um dia colorido, mas para a vigorosa energia que ela irradiava, indolentemente, deixando-o em intangível palidez.

aproveitava o silêncio para patinar no ritmo do acorde de um certo violonista, que lhe atiçou aquela malícia deliciosamente sutil. contornando a fonte em formato de ostra, lambia um sorvete de morango, deixando, de propósito, o creme cair em sua regata branca.

um acorde, dois acordes. virgínia, tingida de inocência, colocava os dedos da mão livre na boca, lambuzados e tingidos de azul. dilatava suas pupilas cristalinas num olhar virginal para o moço que atava suas pernas, cheio de desespero.

... que desesperadamente cantava uma música que acabara de compor para ela, em um tom simples e ingênuo; floreado de clichês e açúcar.

mas virgínia – que perdera a razão do nome há muito tempo – queria lascívia. estremecer de frente e por cima, agressiva e sem pudor; comer seu coração depois de gozar.

com passos de bailarina, disfarçava sua embriaguês, distribuindo timidez quando aceitou um alerta patético e receoso.

ao ouvi-lo, imediatamente ensaiou um deslize e, enquanto ele a ajudava se levantar, ela aproveitou para olhar com ingenuidade o meio de suas pernas tiritantes.

num quintal mal-iluminado, vírginia, triunfante, esparramou-se molhada pela chuva sob os pêlos e delírios de seu querido suicida; impregnada de loucura, e sustentada pelo seu vício


*florence, pra você.

sobre as manhãs nubladas

terça-feira, 30 de setembro de 2008

nessas madrugadas de ócio e de carla bruni, tenho vontade de escrever pra alguém especial. dizer como eu me sinto, falar das cores que vejo.
me lembrei de você.
te mandar um e-mail - poisé, perdi seu endereço antes de responder a carta que prometi resposta -, talvez. mas pra quê, se há tanto tempo acho que você nunca levou a sério o que eu sentia? desconfio que sempre fui meio apaixonada por você, ranheta. continuo com esses problemas de muitos afetos, de confundir meus amores. encontrei um há alguns meses, e só nessas últimas semanas, depois de todo o encanto esfarelado, percebi o quanto ele me lembra você; suas caras, bocas e manhas.
tenho saudades de ouvir como foi o seu fim-de-semana, te dar broncas pela porra-louquice, e fingir competência e responsabilidade pra não ser mau-exemplo. de provocar ciúme, só pra depois desmanchar sua cara azedíssima com sorriso e cafuné. daquele seu melhor abraço de todos, que fazia todo o meu rancor se derreter.
algo me diz - essas palavras todas me dizem - que, mesmo posto que é chama, eu continuo amando você - apesar de ter trancado o portão e apagado as luzes.

será que isso quer dizer...?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

abri a porta, é só revi a vida inteira depois de entrar...

...meu coração não bate mais forte só por você!

e agora, o sonho vai acontecer?

banco de praça

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

- o que foi?
- hoje é sábado. vamos comemorar!
- coração, hoje é terça.
- prova.
- ah, vá se foder! você tá cada dia mais pirado.
- vou comprar uns doces caseiros ali na esquina. você quer?
- não; engorda. vou acender um cigarro enquanto te espero.
- o que foi?
- acho que estou confundindo.
- o quê?
- suas calorias com as dos doces...
- tá me chamando de gordo?
- não, seu bobo. vai logo senão eu vou começar a te fazer cócegas. e amarra esse tênis imundo.

***

- aquela hora... você tava se declarando pra mim?
- não; te chamando de gordo.
- jura?
- não.
- então posso te beijar?
- você cortou o clima. me dá um de abóbora, aquele maior ali ó.

e de dentro do aquário...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

e numa explosão de cores
meio que me encontrei. meio poeta, cheia de prosa e sem muito rumo. num emaranhado de loucuras, de corações - e aqui arrisco rimar com paixões. que bem combinam com as borboletas que me brotam na barriga, e com aquele olhar que até agora me fustiga. prefiro não me apegar ao que me irrita, e cair nos braços daquele me abriga.
e se me segurar, como já dizia tom jobim...
longa é arte e breve é a vida, querida!
e quando o mundo nos abraçar,
vou pedir que ele gire com leveza... sem enjôo, sem pressa
-com açúcar!
...e sem muita certeza