ao deus que for...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

o pudor, correndo séculos a fio sobre corpos de incertezas, abafado quente, transparecido em um semblante frio e apático, gastrite ardente corroendo ovários doentes. censura, silêncio, lençol luz apagada, cócegas vestidas de inocência.
o medo da vulva, do calor de pernas que se encostam distraidamente, auto-boicote. renúncia do tato, febre fria, dor.
espia rápido por detrás da venda de cetim vermelho, explode em desassossego, cruza as pernas, aperta o sexo, a umidade da roupa denuncia. desconhecer o próprio corpo, vetar desejo na compulsão alimentar, fechar os ouvidos para os segredos da pele, até quando o rubor? até quando o pênis de uma feiúra repulsiva, o clitóris, amorfo, e o cu, palavrão? direito à tpm, sim, à masturbação, não. quê querem, senão gozar lamúrias?
suor, saliva e sêmen, liquidos, fluxos quentes e humanos - talvez seja aí onde reside a causa: negar o que é demasiado humano. (postado originalmente em junho de 2011)

domingo, 7 de julho de 2013

dia desses, comecei a ouvir um zunido insistente no meu ouvido e pensei que fosse a loucura chegando. comecei a procurar abelhas, moscas pela sala e não encontrei nada. também não era definitivamente a construção ao lado, então só poderia estar em mim. comecei a procurar as moscas e as abelhas no meu cabelo, e já tinha quase certeza de que aquela cena era a loucura que já havia chegado. então eu começaria assim, pela alucinação auditiva em um dia de semana. sem alucinógenos, desilusões ou algum trauma fatal, a minha loucura chegaria como uma visita inconveniente, um carteiro, uma tempestade de verão. sentei reta no sofá, e comecei a esperar pela primeira alucinação, por revelações, profecias, arranjos inteiros da mais pura música erudita, monstros com a voz dos meus familiares, o jim morrison. mas nada, nem formigamento. aí o zunido parou, e depois voltou. e depois, e depois, e depois e eu procurava incessantemente por insetos na minha cabeça, na minha roupa. aí eu comecei a pensar que aquele papo todo da minha mãe dizendo que eu era uma criança meio estranha tava fazendo sentido, de que a minha psicose era coisa de tempo. quando já estava me sentindo meio no direito de andar procurando insetos nos cabelos e falando o que eu quiser, senti um arrepio no pescoço, e era uma daquelas abelhinhas que grudam e fazem barulho. levei minha psicose latente pra janela, num misto de desapontamento e de alívio por ser só mais uma neurótica, pensando que, caso ficasse louca um dia, começaria por delírios de grandeza e de petulância.

domingo, 28 de abril de 2013

-sentada na patente, olhei para o ralo e notei que vários fios dos meus cabelos se agarravam pela sua tampa. "que nojo, será que é falta de vitamina, será que é sinal de preocupação, ser adulto é começar a perder uma das primeiras coisas que cresceram em você, como uma metáfora da inocência?"
mas, talvez seja apenas o topo da minha cabeça tomando a iniciativa de começar uma viagem por túneis escuros e esparsos.

redação

quarta-feira, 17 de abril de 2013

 

joãozinho era um menino diferente, sempre gostou de contar números e histórias, aí o marcão foi lá e disse você é um mané, seu cedê éfe, aí todo mundo riu porque tinha medo de apanhar se não achava graça, aí joãozinho achou que ser legal e ter amigos era passar lanche e lição de matemática todo dia, daí passava o intervalo na sala adiantando lição pra passar pros amigos enquanto todo mundo jogava bola.
um dia, não teve lição aí o joãozinho foi jogar bola mas só podia jogar goleiro, e o marcão que era bem forte deu com a bola de propósito bem na cara dele, que entortou o nariz. aí deve ser por isso que agora o joãozinho só usa o cabelo todo puxado na cara de lado, meio que pra esconder que ele só podia ser goleiro e fazer lição na hora do intervalo, acho que o joãozinho já nasceu meio assim, de lado. eu queria ser amigo dele, mas eu sento na frente.

 

todos já sabemos minimamente: estamos alienados, formatados, arruinados. eu-que-na-ruína-nado... mas um peixe nunca morre afogado.
no fundo dos corredores de corais, uma voz cínica boceja: -salve mundo metal!, à direita, o absurdo do senado; à esquerda, o escândalo da monocultura; corredor dos fundos, a relação entre a monogamia e a monocultura diante da heteronormatividade na contemporaneidade, em tecnologia 3-D; o ingresso é qualquer livro com a o adjetivo 'líquido' no nome da capa, afinal estamos num aquário, sejam rápidos, nosso aquário se autodestruirá em 24 horas! aguardem novidades após nossa próxima regeneração!

domingo, 30 de dezembro de 2012

"(...) Porque eu gosto do caos. Porque isso significa o desquite da realidade, da qual tenho pânico. Porque a vida fora da arte fica  insuportável. E é minha única chance de não ir para o hospício.”
Oswaldo Montenegro

 

essa noite sonhei que o Oswaldo Montenegro faria um show no ACAMPsi; enquanto ele se familiarizava com o local, havia muitos cânticos da Umbanda, e o que mais me chamou atenção foi o canto à Ogum, o orixá guerreiro. Após um tempo, o Oswaldo voltou cambaleante e sujo, como se tivesse tido um surto. Alguns se lamentaram, e um de nós disse algo parecido com "a arte dele precisa disso". Em seguida, uma conhecida disse à ele "você deve ter sofrido muito quando criança, né?" e eu a cutuquei, dizendo que não precisávamos desorganizá-lo agora.
fiquem à vontade para interpretá-lo como queiram, mas esse sonho foi minha retrospectiva 2012. a força, a arte, o cuidado, a coragem, a loucura, a sabedoria. palavras-chave, eu preciso de força e coragem, beirar à loucura, para defender a arte e o cuidado com o outro com sabedoria. em resumo, este ano me deixou uma mensagem de humildade, calma e esperança.acho que estas palavras se aproximam da concepção que tenho de Deus.
após incontáveis confrontos com copos e espelhos, copos espelhados em que procurava força quando já quase não acreditava mais em nada, descobri neste calor quente o quanto ainda há de ser aprendido por todos, em sua maioria crianças mesquinhas e petulantes. agradeço à Deus, então, que meus copos tenham sido sempre partilhados por pessoas maravilhosas, sejam estes copos simbólicos ou não - teria sido muito mais doloroso sem vocês.
hoje, no início de uma nova era e de uma carreira, pergunto o que ontem Nietzsche,  e que hoje uma grande mestre e amiga diz: "quanto de verdade você aguenta?"
Um sincero e choroso abraço nos amigos bêbados, idealistas, artistas, rabugentistas, culinaristas, todos grandes e bonitos... é sempre um prazer!

viadinho

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Zezinho queria um emprego, mas não queria ser cabeleireiro, só queria cortar o cabelo
Zezinho queria correr com os lobos, mas não tinha uma boceta
Então o Zezinho deixou a barba crescer pra ir ao mercado,e comprar uma margarina Qualy
mas como sua família não era igual à do outdoor,
Zezinho usou a margarina pra dar o cu.